sexta-feira, 27 de maio de 2011

Submersão - Impressão pessoal por Luiza Coelho

É difícil explicar uma sensação sem usar metáforas. Antes mesmo de fazermos o primeiro exercício para rádio, lembro de ter falado aos colegas: "É como tirar um band-aid, tem que fechar os olhos e puxar forte para não doer". E, de fato, não doeu nada. Na verdade, depois do programa, a sensação foi de realização - um tanto atrapalhada, mas ainda assim realização.

No início dá aquele nervosismo, sim. Quando o Fábian diz a fatídica frase - "o próximo grupo pode ir" -, dá um frio na barriga enorme. Esperar os minutos finais do grupo anterior é torturante, porque o tempo não passa. E, na medida em que - lentamente - ele passa, o frio na barriga cresce. E de repente está na nossa hora.

Ao apresentar a carteirinha e abrir aquela porta para entrar no estúdio, a sensação é de estar na beira de um penhasco, pronta para mergulhar na água que está lá longe, lá embaixo. E foi o que fizemos, o grupo todo - saltamos e mergulhamos. Sabíamos que a falta de oxigênio de um comprometeria toda a expedição do grupo. E por isso nadamos - todos juntos.

Acontece que, por sermos mergulhadores um tanto quanto inexperientes, devíamos ficar em águas sem grande profundidade. Por segurança, o chão devia estar sempre ao alcance de nossos pés, mesmo com a cabeça na superfície. O grupo, sem perceber, nadou até o fundo e, ao levantar, o chão havia sumido - houve, sim, um breve momento de desespero quando nosso roteiro chegou ao fim e ainda restavam 15 minutos de programa.

O escorregão foi necessário, pensei depois do programa - os erros, com certeza, têm tudo para serem corrigidos durante nossa trajetória no jornalismo. O trabalho em equipe e a administração do nosso momento de "crise", acho eu, foram exemplares. Não estávamos lá pela nota. Não estávamos lá individualmente. O combinado era que um auxiliasse o outro da melhor maneira possível - e foi o que aconteceu.

A ansiedade que se transformou em nervosismo, antes do programa, se tornou em algo como "quero ir de novo - e de novo, de novo, de novo, de novo". Mas, da próxima vez, arriscando um pouquinho mais. Sei que tem muito oceano para ser explorado por aí. Um mergulho num naufrágio, quem sabe?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Analogia - Impressão Pessoal por Louise Bragado

Enquanto você está nas cochias, esperando o sinal de ok, a sensação é diferente. É um tipo de nervosismo saudável. Você entra no palco, ainda com as luzes apagadas, e enquanto aguarda, no escuro, a música começar, a sua consciência está totalmente concentrada no linóleo, um tipo de tapete colocado em cima do piso de madeira, para evitar escorregões. A música inicia e toda aquela consciência flui para o seu corpo, e os movimentos começam. De repente, você não é mais nada, nem consciência, nem movimentos. Você perde a noção do tempo, de corpo, do mundo. O seu corpo faz tudo por si só. De uma forma que você talvez não ousasse fazer, se estivesse com a mente a mil, pensando na maneira, no jeito, no detalhe de como fazer.

Você só se dá conta do tempo cronológico, do corpo, da platéia, do mundo ao seu redor, quando a música para de tocar. Você conta até três e sai discretamente do palco, enquanto os dançarinos da próxima coreografia já estão entrando. Você só se dá conta do que fez ou deixou de fazer quando está nos camarins, que ficam no subsolo do teatro.

A sensação, no entanto, é impagável, inefável, maravilhosamente boa. Um tipo de trabalho que te proporciona prazer do início ao fim. É uma meditação consciente, uma abstração do momento. Um pulo no êxtase, um gostinho da eternidade.

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Quando eu dançava numa companhia, há uns dois anos atrás, a sensação de me apresentar era exatamente essa. Você tinha três minutos para mostrar o que fora ensaiado em nove meses. E eram os três melhores minutos. Hoje pela manhã, tive vinte melhores minutos. O rádio me deu a mesma alegria, a mesma satisfação, o mesmo entusiasmo. Impossível não comparar as duas coisas. A dança sempre foi uma atividade que amei, justamente por toda essa loucura consciente que acontecia no palco. Hoje na rádio a sensação foi muito parecida. Quero bis!

Experiência pessoal - Rádio: desafiador e apaixonante

Os obstáculos foram muitos, porém o mais difícil é explicar a sensação que senti antes de entrar no estúdio. Nem nervosa e muito menos tranquila, talvez anciosa.


Passamos por internet, jornal impresso e agora o rádio. Fazer um programa de rádio se diferencia muito das outras experiências. Os ouvintes podem pensar que a voz é o principal instrumento do radiojornalismo, mas acrescento inúmeras outras características: calma, concentração, paciência e o poder de saber improvisar.

A minha matéria não era extensa, o assunto era polêmico, a marcha da maconha realizada em Porto Alegre. Li e reli a notícia variadas vezes antes do momento oficial, tentei corrigir meus erros enquanto lia alto e claramente o texto. Na "hora H" só fluiu, não consigo recordar o que eu errei ou até mesmo o que eu acertei.


O rádio me encantou e me surpreendeu, minha expectativa não era grande, normalmente as pessoas não valorizam como deveriam o radiojornalismo, experiência própria. Esta pequena atividade de 20 minutos serviu para eu conhecer os encantos do módulo rádio. Transmitir na voz o que não podemos mostrar com imagens não é fácil.

Posso dizer que o rádio é apaixonante e desafiador e, inclusive, fez surgir novas idéias para continuarmos vivendo essa experiência dia a dia.

20 minutos

                                                                 escrito por Louise Bragado, Luiza Coelho e Rafaela Johann
“Faltam três minutos”, anunciou o Fábian. Não dava mais tempo de mudar nada. Quem leu o post anterior sabe que o nome do programa, “Em cima da hora”, não foi escolhido por acaso. O Ângelo e o Marco ainda estavam arrumando as últimas informações da editoria de Esporte. A Ju tinha esquecido a carteirinha; tudo bem, pega a identidade. A Anna achou que ainda faltavam quinze minutos. Não, eram só três. Então tá, vamos.
Quando chegamos ao estúdio, o ambiente pareceu modificar-se. Alguns probleminhas iniciais ocorreram. A música que tínhamos escolhido não estava tocando, e não podíamos testar outras, porque ia ser ouvido na rádio. Enfim, eram 9h e 29min e a musica rolou.
09h e 30 min – Pellanda: “Está na hora.”
O Leandro botou a música, a Louise e o Ângelo foram os âncoras. Se apresentaram e deram início aos anúncios das manchetes...
A editoria mundo falou sobre o tornado dos EUA, em Joplin. Sendo as primeiras a se apresentar, a Lu e a Anna estavam nervosas, mas deu tudo certo.
Política foi o segundo assunto a ser abordado. Louise Bragado falou de Antônio Palocci, tema que gera grande polêmica no momento.
A marcha da maconha também foi um dos assuntos debatidos. Rafaela Johann noticiou a caminhada que ocorreu neste domingo, em Porto Alegre, pela legalização da droga. Leandro Duarte complementou com comentários referentes ao protesto em São Paulo.
A cultura deu destaque para um grande evento que ocorrerá em setembro no Brasil: Rock in Rio. A sequência de shows que durará quatro dias é a promessa do ano de 2011.
Por último, mas não menos importante, o esporte foi apresentado por Ângelo Passos e Marco Santana. Os guris falaram do atraso das reformas nos estádios brasileiros para a Copa de 2014.
Pois é... Conforme o nosso roteiro, o programa já tinha acabado, porém tinham passado apenas 5 minutos! O pavor começou a bater, todos apreensivos com a sobra de tempo, 15 minutos é muito diante do nervosismo que o rádio te causa. A improvisação foi a nossa salvação. Instintivamente, Louise abriu o Google, a fim de encontrar notícias que fossem coerentes e que pudessem preencher nosso espaço. Falou da previsão do tempo para o final de semana, da lista dos livros mais vendidos da revista Veja – na qual achou um livro que, graças a Deus, já havia lido.
O tempo parecia não passar, se arrastava lentamente e precisávamos de soluções. Marco e Ângelo, então, começaram uma espécie de bate-papo sobre futebol.
Os assuntos, então, começaram a surgir da espontaneidade de cada um. Comentamos estreias do final de semana, aniversário de diretores, voltamos ao Esporte, retornamos a editoria Mundo e a Lu comentou sobre o vulcão na Islândia. Eram 09h e 48min e todos se olharam, comunicando-se silenciosamente que já podia acabar. Todos se apresentaram e o programa terminou. A adrenalina, no entanto, não passou tão cedo.

''Em cima da hora'' MESMO

escrito por Louise Bragado, Luiza Coelho e Rafaela Johann
Conforme Ricardo Noblat, em seu livro ''A arte de fazer um jornal diário'', jornalista gosta de fazer tudo pra ontem. Deixa sempre para o último minuto. Não foi diferente em nosso primeiro programa de rádio. 
No dia 19 de maio, em nossa aula de Laboratório de Jornalismo, recebemos a missão de planejar e apresentar um programa de rádio para a Rádio Fam. Com apenas uma semana para nos organizarmos, a correria foi intensa: noites mal dormidas, intervalos perdidos e muita improvisação. 
O grupo formado - Louise Bragado, Luiza Coelho, Rafaela Johann, Ângelo Passos, Juliana Forner, Marco Santana, Daniele Souza, Leandro Duarte e Anna Lyra - interpretou verdadeiros jornalistas, encarando o módulo rádio. Buscamos as notícias mais comentadas da semana, porém a grande quantidade nos deixou apreensivos. Separados por editorias, ficamos responsáveis por escrever um texto complexo em conteúdo, mas de compreensão simples.
Por estarmos um tanto sobrecarregados nesta semana, o encontro do grupo só foi possível ontem à noite na PUC e, depois, o fechamento do roteiro, via msn. Hoje pela manhã, a agitação foi grande. Os ajustes finais foram decididos quando estávamos em frente aos microfones e com o coração palpitando. Você deve estar pensando: ''um programa de rádio não precisa de um nome?''. Claro que sim - Em cima da hora. Literalmente.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Sigam o rastro do dinheiro" - Caso Watergate

O Jornalismo pode mudar a História. Pode fazer acontecimentos saírem das sombras, dar reviravoltas no tempo e nas ideias - desde que não haja limitação. Um jornalista que desiste facilmente não consegue muita coisa. É preciso, como ouvimos na maioria das aulas, "desconfiar e apurar, apurar, apurar". Assim mesmo: exaustivamente.

A magnitude do poder do jornalismo bem feito foi evidenciada em 1974, quando o então presidente republicano dos Estados Unidos, Richard Nixon, renunciou ao cargo. O motivo? Dois repórteres do jornal Washington Post iniciaram uma investigação, em 72, sobre a invasão de cinco homens à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate. Robert Woodward e Carl Bernstein não tinham noção de onde sua curiosidade iria os levar: à descoberta de um caso de corrupção no comitê de reeleição do presidente Nixon. O escândalo ficou conhecido como o Caso Watergate.

Em junho de 1972, o Washington Post publicou pela primeira vez a notícia do assalto ao edifício Watergate, na capital dos Estados Unidos. O crime foi o seguinte: cinco homens foram detidos, durante a campanha eleitoral, tentando instalar aparelhos de escuta e fotografar documentos no escritório do Partido Democrata. Fazendo telefonemas e associando nomes ao caso, Bob Woodward e Carl Bernstein investigaram o escândalo durante meses - uma fonte anônima, conhecida apenas pelo modo como o jornal se referia a ela, "Garganta Profunda", lhes dava informações secretas, como a de que o presidente Richard Nixon estava ciente das ações ilegais.

Watergate deixou de ser caso de política para ser policial. Incansáveis, os repórteres procuraram por respostas. Estabeleceram ligações entre a Casa Branca e o caso e interrogaram pessoas que trabalhavam nos setores envolvidos, até que tivessem fontes o suficientes para provar que estavam certos. E estavam. Após ter o sistema de corrupção e espionagem denunciado, Nixon afirmou que não renunciaria. Mas renunciou, em agosto de 74.

A façanha de Woodward e Bernstein virou livro e história de cinema. "Todos os homens do Presidente" foi escrito por eles - adaptado às telonas com a direção de Alan J. Pakula e excelente atuação de Robert Redfort e Dustin Hoffman, lançado em 1976. No Oscar de 77, foi nomeado a oito estatuetas de ouro.

O filme é uma grande lição de jornalismo investigativo. E, não por acaso, assistimos a ele na aula de hoje. Todos os aspirantes e admiradores da profissão devem fazer o mesmo. É envolvente, intrigante. A frase que mais pensei - e ouvi - hoje, quando o filme acabou, foi: "quero ser como eles".


Curiosidade: a identidade de Garganta Profunda, até então secreta, foi revelada em 2005 - Mark Felt, vice-diretor do FBI na época, afirmou sê-lo. Dava pistas aos repórteres por estar revoltado com a falta de ética do presidente. A pista mais importante de todas? "Sigam o rastro do dinheiro". Felt sabia que as cédulas de dólar que financiaram o arrombamento do edifício Watergate podiam ser reconhecidas pelo número de série. O dinheiro tinha sido doado à campanha eleitoral de Richard Nixon.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Enquete: você doaria seus orgãos?

Segue o vídeo da editoria de geral feito na aula de LabJor. Pessoas foram questionadas com seguinte questão: você doaria seus orgãos? Confira abaixo o resultado!


Retrocesso desnecessário

Muito se fala, muito se reclama, mas nada se faz. Preciso expressar a reação que o Supremo Tribunal Federal causa em mim diante do tamanho retrocesso: a não obrigatoriedade do diploma jornalístico.

Estando apenas no primeiro semestre do curso de jornalismo, já não consigo compreender como autoridades são a favor da não obrigatoriedade do diploma do curso. Em dois meses já se acumulam as noites mal dormidas, a correria para um trabalho, a felicidade da superação, as amizades feitas, a troca de ideias com professores experientes, a satisfação de ver seu nome em uma matéria... Enfim, a vivência do jornalista.

Na faculdade se aprende o real significado de ser profissional. A cada dia um novo conhecimento, a cada dia surge uma nova paixão dentro da atividade. Estamos juntos aos verdadeiros profissionais do jornalismo, estes, que como nós, aspirantes da profissão, têm a consciência dos estragos que podem ser causados com pessoas descomprometidas e despreparadas dentro de uma redação.

O jornalismo, mesmo que com exceções, sempre foi um instrumento da democracia. Democracia esta que se inviabiliza a partir do momento em que a formação é desvalorizada.

É importante ressaltar que o curso de jornalismo está cada vez mais concorrido nas universidades, existem mais candidatos inscritos do que o número de vagas oferecidas. Isso prova que os futuros jornalistas estão conscientes da necessidade e importância da formação para o exercício da profissão. Além do mais, quando escolhi o jornalismo como profissão já sabia disso tudo. Entrei nessa e tenho esperanças que o bom senso há de prevalecer no país.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Ossos do ofício"

Nossa vida anda corrida, como a Louise disse no post anterior. A faculdade de Jornalismo não é fácil – mas nunca nos disseram que fosse. Temos vários livros para ler e trabalhos a fazer. A cada novo projeto, a velha pergunta: “será que eu vou conseguir fazer isso?” – ou seja, nossa capacidade é colocada à prova por ninguém mais, nem menos, que nós mesmas.


Para as editorias de Laboratório de Jornalismo, a Rafaela e eu pegamos “geral” – sim, muito amplo. Podíamos falar de praticamente qualquer coisa que nos interessasse. Em nosso plano da editoria, tínhamos os seguintes itens, junto com as outras meninas: transporte público, histórias de vida, moradores de rua e Theatro São Pedro. Para nós, ficaria o transporte público. Acabamos, então, mudando o rumo de nossa matéria para algo mais atraente: a Copa do Mundo de 2014.


Uma vez com o tema escolhido, mãos à obra: conseguimos o telefone da SECOPA – Secretaria Municipal Extraordinária para a Copa – e tentamos uma, duas, três, dez vezes. Quando finalmente nos atenderam, deram o número do Assessor Técnico Aírton Shuch. “Perfeito”, pensamos, “já temos com quem fazer a entrevista”. Após enviar um e-mail ao assessor para solicitar a entrevista, nos encarregamos de formular perguntas e delimitar nossos objetivos. No entanto, nossa resposta demorou a chegar.


Tínhamos que levar a matéria quase pronta na quinta-feira, então desistimos da entrevista. Mas quarta, ao meio dia, recebi uma mensagem da Rafa, dizendo que havia ligado mais uma vez para a SECOPA e que o assessor poderia nos receber. Como ela trabalha e eu moro perto, anotei o endereço, peguei um táxi e fui – nervosa, ansiosa. Aírton Shuch, por sua vez, fez questão de fazer eu me sentir em casa na sala de reunião da secretaria. Simpático, começou a falar antes mesmo de eu fazer a primeira das perguntas formuladas. “Sabe o que falta para a Copa?”, ele me perguntou. Envergonhada, disse que não sabia. “Comunicação. Faltam vocês, comunicadores. O pessoal lá de cima não tem investido nisso”.


Saí de lá com o livro do planejamento da Copa, que Shuch emprestou, e com um sorriso permanente. A tão esperada “primeira entrevista” foi mais do que gratificante e as ideias para o texto fervilhavam em minha cabeça. Só faltava escrever. Abri o material que a Rafa tinha me mandado e foi isso que eu fiz. Digitei até o dedo doer – ops, esqueci que tínhamos um limite de caracteres. Então cortei. Até onde foi possível.


Depois de todo o trabalho, preocupações e sono acumulado, foi muito bom ver nosso nome naquela folha. Inesquecível. Hoje, fizemos os últimos ajustes e até um conteúdo digital: escolhemos, com todas as meninas da editoria, um dos temas para sair pelo campus e fazer uma enquete com as pessoas. Algumas receptivas, outras não. Abordagens, perguntas, vídeo editado – tudo certo. Sensação de dever cumprido. E a conclusão a que chegamos é esta: estamos no caminho certo. Esse preview da vida de um jornalista que temos a cada aula é a prova disso. O jornalismo está, desde o dia primeiro de março, se concretizando em nossas vidas – além de estar tomando conta delas.

Experiência

Hoje vou deixar a objetividade um pouco de lado e usar a palavra proibida: eu. O pecado, contudo, tem um propósito que o justifica muito bem: contar nossa experiência pessoal ao “fabricarmos” nosso primeiro jornal. Durante a aula de Laboratório de hoje, finalizamos nossas pautas em cada Editoria. Acredito que, para a maioria dos futuros jornalistas ali presentes, era a primeira experiência real de uma matéria escrita integralmente por nós mesmos.
Como em qualquer trabalho que envolve seres humanos, dificuldades são essenciais. Fazem parte do processo, provocam agonia se atrapalham; por outro lado, geram alegria e entusiasmo quando superadas. Possivelmente, o maior empecilho foi o agendamento de entrevistas, pois nem sempre o entrevistado está disponível ou cumpre as expectativas por nós esperadas. Mais uma vez, destaco: é o trabalho com seres humanos.
Mas aí é que bom, certo?! Se não, estaríamos na aula de Cálculo I, inventando contas exageradas na tentativa de fazer loucuras com números. Os seres humanos já são loucos por natureza, não precisam de incremento.
Muito paradoxalmente, adotei a editoria Economia. Eu sabia que posso muito bem fazer cultura, esporte, política, mas, pessoalmente, Economia é uma “coisa” que não entendo. Mesmo. Acho que só este ano compreendi o real conceito de inflação, e mesmo em alguns debates que assisto sobre o tema preciso ficar atenta para manter o raciocínio aliado aos economistas. Sério, coisa complicada.
Minha matéria é sobre o impacto das tragédias naturais, tais como terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas na economia dos países, mais precisamente o Japão, palco do último terremoto de grande impacto mundial este ano. Felizmente, a inflação não me escolheu. Deixei essa bruxa pro meu colega Gabriel Paim. Por enquanto.
Da experiência tirei muitos aprendizados, entre eles o de trabalhar em equipe, o de escrever “jornalisticamente”, e o de contribuir de alguma forma para a sociedade. Não é isso que queremos ao informar notícias importantes para os indivíduos que vivem em comunidade conosco?!
Destaco um orgulho apenas: o de ver o seu nome grafado no alto da página ou da matéria, dando credibilidade ao que foi escrito e transpassando tudo o que não está impresso no texto, mas que é a substância da sua matéria: sua obstinação em conseguir dados, marcar entrevistas, aperfeiçoar o texto, cortar idéias irrelevantes, fazer com que fique BOM. Fazer com que o seu trabalho, além do seu nome, leve também a sua competência como profissional de Jornalismo. 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pedido de desculpas esfarrapadas

Estudantes de Jornalismo vivem de dilemas. Respiram dilemas, transpiram dilemas. Essa é a minha opinião. O quê? Opinião? Não, não pode. Tem que ser imparcial. A primeira das questões começa aí. O debate pode durar a eternidade. Ninguém chegou à uma conclusão sólida, pois tão subjetiva quanto a imparcialidade é a discussão sobre o tema. Estudantes de Jornalismo escutam de alguns professores que é possível ser imparcial, e de outros que é impossível.
Estudantes de Jornalismo aprendem a escrever. Jornalisticamente falando. É cobrado deles precisão, coesão, objetividade, simplicidade. O mais direto possível, por favor. Sujeito verbo e predicado é a ordem correta. No entanto, também lhes é cobrado criatividade. No título e no lide, principalmente, para chamar a atenção do leitor. Mas, se não tem o dom para a “coisa”, melhor colocar um título direto mesmo. Tipo: “Osama está morto”, para contar que o maior terrorista procurado pelos Estados Unidos foi morto.
Falando em dom. Estudantes de Jornalismo escutam que “tem que ter um dom” para escrever. Mas que dá para aprender. Tá. Então, estudantes de Jornalismo aprendem a desenvolver seu dom natural. Será? Não sei.
Não sabe? Que horror! Aspirantes a jornalistas não podem não saber. Se não sabem, devem apurar, apurar, apurar. E, depois da apuração, cruzar as fontes. Para não cair no risco de saber o que não é verdade.
Putz! E a verdade? Estudantes de Jornalismo correm atrás dela sabendo que ela não existe. “O jornalismo é a melhor versão possível da verdade”.  Ok, isso me conforta um pouco.



Então, esse é um pedido de desculpas que eu faço, em nome das três, por não termos publicado tanto no blog no mês de abril. Um pedido de desculpas argumentado pelos dilemas acima. Estamos buscando a verdade inalcançável, ao mesmo tempo em que resolvemos certos dilemas, encucamos com outros tantos, assistimos três ou quatro jornais diferentes por dia, lemos mais dois, nos informamos sobre tudo e mais um pouco, tentamos formar nossas opiniões e simultaneamente manter a cabeça aberta, e tudo isso, acompanhado da nossa vida. Afinal, não somos Jornalismo. Temos um cotidiano que envolve a esfera pessoal, econômica, familiar, religiosa e cultural, e não somente a profissional.
Não estamos certas ao esquecer um pouco do nosso cantinho “ExpressoPauta”. Este é apenas um pedido de desculpas justificadas que vem acompanhado da promessa de postar mais. Foi mal, leitores. Um beijo enorme.