quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Ossos do ofício"

Nossa vida anda corrida, como a Louise disse no post anterior. A faculdade de Jornalismo não é fácil – mas nunca nos disseram que fosse. Temos vários livros para ler e trabalhos a fazer. A cada novo projeto, a velha pergunta: “será que eu vou conseguir fazer isso?” – ou seja, nossa capacidade é colocada à prova por ninguém mais, nem menos, que nós mesmas.


Para as editorias de Laboratório de Jornalismo, a Rafaela e eu pegamos “geral” – sim, muito amplo. Podíamos falar de praticamente qualquer coisa que nos interessasse. Em nosso plano da editoria, tínhamos os seguintes itens, junto com as outras meninas: transporte público, histórias de vida, moradores de rua e Theatro São Pedro. Para nós, ficaria o transporte público. Acabamos, então, mudando o rumo de nossa matéria para algo mais atraente: a Copa do Mundo de 2014.


Uma vez com o tema escolhido, mãos à obra: conseguimos o telefone da SECOPA – Secretaria Municipal Extraordinária para a Copa – e tentamos uma, duas, três, dez vezes. Quando finalmente nos atenderam, deram o número do Assessor Técnico Aírton Shuch. “Perfeito”, pensamos, “já temos com quem fazer a entrevista”. Após enviar um e-mail ao assessor para solicitar a entrevista, nos encarregamos de formular perguntas e delimitar nossos objetivos. No entanto, nossa resposta demorou a chegar.


Tínhamos que levar a matéria quase pronta na quinta-feira, então desistimos da entrevista. Mas quarta, ao meio dia, recebi uma mensagem da Rafa, dizendo que havia ligado mais uma vez para a SECOPA e que o assessor poderia nos receber. Como ela trabalha e eu moro perto, anotei o endereço, peguei um táxi e fui – nervosa, ansiosa. Aírton Shuch, por sua vez, fez questão de fazer eu me sentir em casa na sala de reunião da secretaria. Simpático, começou a falar antes mesmo de eu fazer a primeira das perguntas formuladas. “Sabe o que falta para a Copa?”, ele me perguntou. Envergonhada, disse que não sabia. “Comunicação. Faltam vocês, comunicadores. O pessoal lá de cima não tem investido nisso”.


Saí de lá com o livro do planejamento da Copa, que Shuch emprestou, e com um sorriso permanente. A tão esperada “primeira entrevista” foi mais do que gratificante e as ideias para o texto fervilhavam em minha cabeça. Só faltava escrever. Abri o material que a Rafa tinha me mandado e foi isso que eu fiz. Digitei até o dedo doer – ops, esqueci que tínhamos um limite de caracteres. Então cortei. Até onde foi possível.


Depois de todo o trabalho, preocupações e sono acumulado, foi muito bom ver nosso nome naquela folha. Inesquecível. Hoje, fizemos os últimos ajustes e até um conteúdo digital: escolhemos, com todas as meninas da editoria, um dos temas para sair pelo campus e fazer uma enquete com as pessoas. Algumas receptivas, outras não. Abordagens, perguntas, vídeo editado – tudo certo. Sensação de dever cumprido. E a conclusão a que chegamos é esta: estamos no caminho certo. Esse preview da vida de um jornalista que temos a cada aula é a prova disso. O jornalismo está, desde o dia primeiro de março, se concretizando em nossas vidas – além de estar tomando conta delas.

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