É difícil explicar uma sensação sem usar metáforas. Antes mesmo de fazermos o primeiro exercício para rádio, lembro de ter falado aos colegas: "É como tirar um band-aid, tem que fechar os olhos e puxar forte para não doer". E, de fato, não doeu nada. Na verdade, depois do programa, a sensação foi de realização - um tanto atrapalhada, mas ainda assim realização.
No início dá aquele nervosismo, sim. Quando o Fábian diz a fatídica frase - "o próximo grupo pode ir" -, dá um frio na barriga enorme. Esperar os minutos finais do grupo anterior é torturante, porque o tempo não passa. E, na medida em que - lentamente - ele passa, o frio na barriga cresce. E de repente está na nossa hora.
Ao apresentar a carteirinha e abrir aquela porta para entrar no estúdio, a sensação é de estar na beira de um penhasco, pronta para mergulhar na água que está lá longe, lá embaixo. E foi o que fizemos, o grupo todo - saltamos e mergulhamos. Sabíamos que a falta de oxigênio de um comprometeria toda a expedição do grupo. E por isso nadamos - todos juntos.
Acontece que, por sermos mergulhadores um tanto quanto inexperientes, devíamos ficar em águas sem grande profundidade. Por segurança, o chão devia estar sempre ao alcance de nossos pés, mesmo com a cabeça na superfície. O grupo, sem perceber, nadou até o fundo e, ao levantar, o chão havia sumido - houve, sim, um breve momento de desespero quando nosso roteiro chegou ao fim e ainda restavam 15 minutos de programa.
O escorregão foi necessário, pensei depois do programa - os erros, com certeza, têm tudo para serem corrigidos durante nossa trajetória no jornalismo. O trabalho em equipe e a administração do nosso momento de "crise", acho eu, foram exemplares. Não estávamos lá pela nota. Não estávamos lá individualmente. O combinado era que um auxiliasse o outro da melhor maneira possível - e foi o que aconteceu.
A ansiedade que se transformou em nervosismo, antes do programa, se tornou em algo como "quero ir de novo - e de novo, de novo, de novo, de novo". Mas, da próxima vez, arriscando um pouquinho mais. Sei que tem muito oceano para ser explorado por aí. Um mergulho num naufrágio, quem sabe?
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