quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Sigam o rastro do dinheiro" - Caso Watergate

O Jornalismo pode mudar a História. Pode fazer acontecimentos saírem das sombras, dar reviravoltas no tempo e nas ideias - desde que não haja limitação. Um jornalista que desiste facilmente não consegue muita coisa. É preciso, como ouvimos na maioria das aulas, "desconfiar e apurar, apurar, apurar". Assim mesmo: exaustivamente.

A magnitude do poder do jornalismo bem feito foi evidenciada em 1974, quando o então presidente republicano dos Estados Unidos, Richard Nixon, renunciou ao cargo. O motivo? Dois repórteres do jornal Washington Post iniciaram uma investigação, em 72, sobre a invasão de cinco homens à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate. Robert Woodward e Carl Bernstein não tinham noção de onde sua curiosidade iria os levar: à descoberta de um caso de corrupção no comitê de reeleição do presidente Nixon. O escândalo ficou conhecido como o Caso Watergate.

Em junho de 1972, o Washington Post publicou pela primeira vez a notícia do assalto ao edifício Watergate, na capital dos Estados Unidos. O crime foi o seguinte: cinco homens foram detidos, durante a campanha eleitoral, tentando instalar aparelhos de escuta e fotografar documentos no escritório do Partido Democrata. Fazendo telefonemas e associando nomes ao caso, Bob Woodward e Carl Bernstein investigaram o escândalo durante meses - uma fonte anônima, conhecida apenas pelo modo como o jornal se referia a ela, "Garganta Profunda", lhes dava informações secretas, como a de que o presidente Richard Nixon estava ciente das ações ilegais.

Watergate deixou de ser caso de política para ser policial. Incansáveis, os repórteres procuraram por respostas. Estabeleceram ligações entre a Casa Branca e o caso e interrogaram pessoas que trabalhavam nos setores envolvidos, até que tivessem fontes o suficientes para provar que estavam certos. E estavam. Após ter o sistema de corrupção e espionagem denunciado, Nixon afirmou que não renunciaria. Mas renunciou, em agosto de 74.

A façanha de Woodward e Bernstein virou livro e história de cinema. "Todos os homens do Presidente" foi escrito por eles - adaptado às telonas com a direção de Alan J. Pakula e excelente atuação de Robert Redfort e Dustin Hoffman, lançado em 1976. No Oscar de 77, foi nomeado a oito estatuetas de ouro.

O filme é uma grande lição de jornalismo investigativo. E, não por acaso, assistimos a ele na aula de hoje. Todos os aspirantes e admiradores da profissão devem fazer o mesmo. É envolvente, intrigante. A frase que mais pensei - e ouvi - hoje, quando o filme acabou, foi: "quero ser como eles".


Curiosidade: a identidade de Garganta Profunda, até então secreta, foi revelada em 2005 - Mark Felt, vice-diretor do FBI na época, afirmou sê-lo. Dava pistas aos repórteres por estar revoltado com a falta de ética do presidente. A pista mais importante de todas? "Sigam o rastro do dinheiro". Felt sabia que as cédulas de dólar que financiaram o arrombamento do edifício Watergate podiam ser reconhecidas pelo número de série. O dinheiro tinha sido doado à campanha eleitoral de Richard Nixon.

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